
Deus está em todos os lugares. Ele não está limitado pelo tempo, pelo espaço ou pelas circunstâncias. Ainda assim, há uma diferença entre reconhecer que Deus está presente e experimentar, de maneira consciente, a manifestação dessa presença.
Em João 4:23, Jesus afirma que o Pai procura verdadeiros adoradores. Jeremias 29:13 acrescenta: “Buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo o vosso coração”. Deus está presente, mas também procura corações que O desejem. E os Evangelhos mostram essa verdade de maneira muito clara: muitas pessoas estiveram perto de Jesus, mas algumas viveram algo diferente porque se aproximaram Dele com fé e inteireza de coração.
No meio da multidão, Bartimeu clamou
Marcos 10 apresenta Jesus saindo de Jericó acompanhado por uma grande multidão. À beira do caminho estava Bartimeu, um homem cego que, ao ouvir que Jesus passava por ali, começou a clamar: “Jesus, Filho de Davi, tem misericórdia de mim”.
Muitos tentaram fazê-lo calar, mas ele clamou ainda mais. Havia muita gente naquele caminho, muitas vozes e certamente outras necessidades. No entanto, Bartimeu não se contentou em saber que Jesus estava passando.
Ele clamou. E Jesus parou.
Bartimeu nos mostra que há uma diferença entre estar perto e buscar de todo o coração. Ele não podia ver Jesus, mas decidiu não deixar aquela oportunidade passar sem se voltar para Ele.
Muitos tocavam, mas um toque foi diferente
Em Marcos 5, Jesus está novamente cercado por uma multidão, agora tão próxima que as pessoas O apertavam. No meio delas estava uma mulher que sofria havia doze anos com um fluxo de sangue.
Ela havia ouvido falar de Jesus e decidiu que, se tocasse em Suas vestes, seria curada. Quando finalmente conseguiu se aproximar, tocou Nele e imediatamente foi alcançada pelo poder de Deus.
Jesus então perguntou: “Quem me tocou?”. A pergunta pareceu estranha aos discípulos, porque todos estavam ao redor Dele, esbarrando e apertando-O. Mas Jesus sabia que aquele toque havia sido diferente.
Todos estavam perto. Muitos tocavam. Mas aquela mulher se aproximou com fé.
Isso nos lembra que proximidade não é necessariamente comunhão. É possível estar no ambiente, acompanhar o movimento e ainda não se aproximar verdadeiramente de Jesus com o coração.
Zaqueu não permitiu que a multidão fosse um obstáculo
Em Lucas 19, outra multidão aparece. Zaqueu queria ver Jesus, mas sua pequena estatura o impedia. Em vez de desistir, correu adiante e subiu em uma árvore.
Para alguém de sua posição, aquela atitude não era comum. Mas o desejo de ver Jesus falou mais alto.
Quando Cristo chegou àquele lugar, olhou para cima, chamou Zaqueu pelo nome e disse que ficaria em sua casa.
O que havia de especial naquele ponto do caminho? Havia ali um homem que queria ver Jesus.
Bartimeu clamou no meio da multidão. A mulher tocou com fé no meio da multidão. Zaqueu venceu a multidão para conseguir vê-Lo. Nos três casos, Jesus estava presente, Seu poder era o mesmo, mas a resposta das pessoas foi diferente.
Estar perto não é o mesmo que buscar
É nesse contraste que surge uma das afirmações mais fortes dessa verdade:
“Deus não se manifesta onde há necessidade; Deus se manifesta onde Ele é desejado.”
Isso não significa que Deus seja indiferente à necessidade humana. O ponto é que havia necessidade em todos aqueles lugares. Bartimeu não era o único necessitado, a mulher do fluxo de sangue certamente não era a única enferma, e Zaqueu não era o único que precisava de transformação.
O que os distinguiu foi a maneira como responderam à presença de Jesus.
Essa verdade também nos alcança. Para quem nasceu de novo, Deus não é apenas alguém que está perto; Sua vida habita em nós. Temos acesso à Sua presença e o privilégio da comunhão com Ele. Ainda assim, podemos viver sem desfrutar plenamente desse acesso.
Apocalipse 3:20 mostra Jesus dizendo à igreja que está à porta e bate. Mesmo estando diante de pessoas que pertenciam a Ele, havia uma resposta que precisava partir delas: abrir a porta.
Deus não força. Ele fala, chama, direciona e se revela, mas espera uma resposta do coração.
Não apenas mais um na multidão
O perigo é nos acostumarmos com aquilo que deveria continuar sendo precioso. Podemos conhecer a Palavra, participar dos cultos, saber que Deus habita em nós e, ainda assim, viver de maneira indiferente à Sua presença.
Bartimeu não permaneceu em silêncio. A mulher não se contentou em estar perto. Zaqueu não deixou que o obstáculo o fizesse desistir.
Todos eles decidiram que queriam mais do que simplesmente estar no mesmo lugar onde Jesus estava.
A pergunta, portanto, não é se Deus está presente. Ele está.
A pergunta é: quanto nós O desejamos?
Em todas aquelas histórias havia uma multidão. Mas alguém clamou, alguém tocou com fé e alguém correu para ver Jesus.
E Jesus parou.







